sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uruguai - Primeiro dia

A noite ontem foi divertida a Edna me abandonou e eu, fiquei um pouco lá no lounge do hostel cantando no karaokê, basta cantar uma música em português que você sabe que é quem. Alguns Brasileiros se aconchegaram e terminamos a noite com meu Erro de Paralamas...


O povo seguiu e eu que já não agüentava mais as pernas de tanto andar subi para fazer companhia ao morpheu e a Edna.

E não é que madrugamos, acordamos às 6h uma lezeira danada, só depois de algumas horas que eu tive coragem de levantar, tomar banho e café. Por sinal, um café bom. Pegamos o mapa com o moço simpático da portaria, e seguimos para cidade Velha, antes, reservamos nossa ida domingo para Punta Del Leste, vamos as 9h00 da manha e voltamos a noite (Ebaaaaa).

A cidade tá uma loucura, muita gente, andando, comprando, comendo etc...etc...etc... Ao meio dia, rolou uma chuva de papel picados, foi demais, fazia tempo que não presenciava ou prestava atenção, talvez porque o nosso prefeito tenha preferido uma cidade limpa a uma cidade com tradição. E por falar em tradição uma outra que rola por aqui é jogar água nas pessoas que passam, os mais desavisados tomaram um balde de água na cabeça pra quem via era engraçado, pra quem levava...xixi...quando a pessoa brigava os de cima diziam felizzzzz ano novo....o briguento sorria desistia e seguia seu caminho.

Paramos em um bar onde o dono adora o Brasil, falou da maravilha que é o Rio de Janeiro ( como turisticamente eu já não soubesse) Podia ficar horas falando da disparidade social naquele Estado, mas, tinha certeza que não era aquilo que queria ouvir, estava mais interessado no carnaval e nas mulheres cariocas do que com as questões econômicas do Brasil, visto que aqui não é tão diferente. Há muita pobreza, pessoas vendem no ônibus, na calçada e não é só bala que se vende não tem de tudo, meia, caneta, boné....desce um sobe outro e assim a população se vira para conseguir um trocado com esse tanto de turista que invadiu o pais.

Voltando ao companheiro do bar, ele perguntou onde morávamos, eu disse em São Paulo Capital, ele disse a cerca da Paulista, eu parei, pensei e disse: sim. A Edna me olhou eu disse até eu explicar onde moro ia demorar, além do mais, ele talvez sequer tenha ouvido falar de Cidade Líder.

Vimos também a fonte dos cadeados, reza a lenda de que se você colocar as suas iniciais junto com a do seu amado a próxima vez que voltar a Montevidéu virá acompanhada dele. Por via das dúvidas antes de ir embora vou lá e coloco o oABCdário, não tem erro, ei de voltar com alguém...

Queria me lembrar mas não consigo quem foi que disse que o Montevidéu, ou Montevideo ( to confusa) é barata. É nada, é tão ou mais cara que a região da Av. Paulista em São Paulo. N nem refrigerante nem água são baratas, cerveja sim...(hehehe)

Íamos ceiar aqui no hostel, porém, decidimos comprar nossa ceia, que será recheada de coisinhas gostosas, temos champanhe, norteña, azeitona, queijos, uvas, pêssegos, lentinha, pães e muita felicidade. A viagem tem seguido ótima. Daqui a pouco vamos tomar uma e passear pela orla, depois descansamos e nos preparamos para virada.... ˙









quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uruguai - A ida.

Uruguai - A ida.

Céu, 30 de dez. de 10

Depois de esperar aproximadamente 2h horas, Edna e eu embarcamos. Parece bobagem mas, como todas às vezes que vôo tenho essa sensação de frio na espinha. Chegamos a conclusão de que quando a avião da aquela paradinha para decolar não tem mais jeito, é colocar na mão de Deus e seguir. Estamos aqui em pleno céu, não sabemos onde estamos, a única coisa que conseguimos ver é um lençol de nuvens que nos envolve como em um sonho bom.

O vôo segue tranqüilo, o comissário de bordo é um escândalo.

Temos daqui pra frente 2h de vôo, é muito boa essa sensação de encontro com desconhecido. Não sabemos nada do Uruguai a não ser o que o Google, dicas do facebook e o guia que compramos nos indicou porém, estamos muito ansiosas para descobrir. Lá vem o moço bonito com nossa refeição é hora de lanchar afinal...ficamos no aeroporto desde as 11h30. Haha, nós aqui pensando que havia um serviço de bordo, nada, veio ele sorridente nos vendendo algo do menu, é ai que começa toda confusão, uma água R$ 6,oo ou US$ 3,00 ou $ 63,00 enfim....quase uma casa de cambio esse vôo...resumindo, paguei em pesos Uruguaios $ 100,00 a moça me devolveu US$ 2,00 resumindo, em minha conversão mental deu a mesma coisa. Espero que até o fim da viagem consiga entender como funciona as coisas por aqui, daqui a pouco estamos chamando meu peso de um real quando na verdade um real vale 10 pesos.

O Céu lá fora continua lindo, parece que Deus esta feliz aproveitamos esse momento de descontração e que estamos mais perto dele isso é se ele de fato ficar a maior parte do tempo aqui em cima e já pedimos aquela força na mega-sena da virada, afinal...porque não aproveitar vai que daqui ele escuta melhor...

E acho que ele ouviu mesmo não a mega-sena, isso talvez ouça amanhã acho que ouviu a parte que era para teremos um pouso tranqüilo. Parecia que não ia acabar nunca, o bicho começou tremer tanto, que todos nós ficamos bem apreensivos tanto que quando as rodas alcançaram a terra todos aplaudiram, foi engraçado e ao mesmo tempo tranqüilizador.

Em solo Uruguaio nossa impressão foi uma confusão de felicidade com curiosidade, lógico que passamos no free shop, percebemos que é um pouco mais barato do que o do Brasil, como boa moradoras da Zona Leste não podíamos deixar de fazer três orçamentos hehehe.

Do aeroporto para o hostel pegamos um ônibus de linha, foi bacana, pois, tivemos a possibilidade de ver um corte longitudinal da capital.

As casas próximo ao aeroporto são maiores, com quintais largos, quase todas vazias com uma cadeira do lado de fora. Vimos também um tanto de tenda parecida com aquelas de ambulantes quando vamos pra praia na Pedro Taques. Mais próximo do centro, percebemos que tem muita casa para alugar ou vender, não sei se é período de férias mas, a cidade até chegar ao centro parece um pouco vazia, diria sombria, porém sem perder o charme.

Ao chegar no hostel uma surpresa, minha reserva não estava confirmada e nem considerada paga, graças que paguei com cartão e a eficiência do Itaú me fez confirmar que estava tudo pago. O moço, muito do simpático resolveu minha vida e me arrumou um quarto aparentemente melhor, pois é privativo eu e minha companheira de quarto não vamos precisar dividir o ar com mais quatro pessoas visto que aqui ta quente para cacete!!!!!!. É uma cidade realmente charmosa, estamos cansadas, fomos comer.... e passear pela orla a carne é divina, e a cerveja é barata, ah, já ia me esquecendo...compramos algumas chandons no free shop para comemorarmos a chegada do ano em grande estilo....A viagem mal começou porém esta com uma energia ótima a Edna tem se mostrado uma excelente amiga e companheira de viagem... Agora no hostel ta rolando um karaoke o que tem de gente ruim cantando não esta escrito.

Acho que agora é hora de tomar banho e tomar nossa “ Patrícia” que esta gelando. Quem sabe sair novamente.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Parte I - Texto Incabado - Nome não revelado.

A estrada era estreita, mal cabia a moça e seus novos pensamentos, pra facilitar, ela os tirou da cabeça e os colocou no bolso o que não sabia, é que seus pensamentos já haviam dominado seu corpo e que a estrada não era tão estreita assim, ela que se tornará maior.
Um pouco desconfortável com as novas possibilidades que seus pensamentos ofereciam ela resolveu abandoná-los ao virar a curva fez o rito de passagem; os tirou do bolso, observou-os por alguns segundos e os enterrou.

Ela andava cada vez mais rápida não olhava sequer um minuto pra trás. Ainda assim, sentia-se pesada, notou que havia mais alguns pensamentos que não a pertencia. Eles estavam guardados no bolso de trás pra tirá-los teve um pouco mais de dificuldade. Sem titubear, resolveu tirar a calça com pensamentos e tudo.

Languida, com suas pernas tortas, seguiu firme, convicta de que apenas os pensamentos que já conhecia eram suficientes para transformar sua trajetória em um caminho mais leve, assim, caminhou por alguns minutos até que percebeu que os botões de sua blusa estouravam sozinho. Por mais que tentasse contê-los, não conseguia, sentia-se confusa, perdeu o controle da situação, parecia que os botões tinham mais força que ela.

Cansada, rancou botões, blusa, tirou tudo. Ela corria, como nunca houvera corrido anteriormente pensava que os pensamentos desta forma não podiam mais alcançá-la.
O caminho que por sua teoria deveria ser ampliado diminuía cada vez mais. Seminua, coberta apenas por seus pensamentos antigos a moça paralisou, não sabia pra onde ir, não havia ninguém próximo para direcioná-la, e lá ficou por algum tempo.
O céu fechou, o que era dia se tornou tarde e logo noite, a moça percebeu que seus pensamentos antigos não ajudariam ela sair de lá, por instantes pensou que se pudesse experimentaria uma pequena dose do novo que havia sido oferecido, mas, ela não podia se movimentar estava paralisada junto as suas antigas certezas. No começo ficou assuntada, depois, sentiu-se confortável em sua posição.

Passaram se alguns dias, a moça seminua não conseguia mais se mexer, seus pés se integraram ao solo, seus cabelos como folhas de outono caiam sobre seus ombros, o corpo cansado e envelhecido pela ação do tempo mal conseguia se sustentar sozinho. Ela ficará irreconhecível, trazia nos lábios um sorriso duvidoso de uma certeza já não tão certa.

Naquela mesma estrada, Kilometros de distância outra moça seguia essa vinha nua como se estivesse nascido naquele exato momento, só não chorava, é como se tivesse deixado tudo que conhecia pra trás e fosse buscar o novo ou a si mesma (...). Em breve continuação.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pensamentos

Será que no momento que estamos felizes conseguimos avaliar de onde é a fonte? Será que ela emana de nós ou é causada por agentes externos? Às vezes me pergunto sobre em quem me transformo quando estou próxima de pessoas que me fazem bem. Tem ar de reflexão de final de ano, mas confesso que tem sido minha reflexão nos últimos tempos até porque somando e dividindo, passei mais tempo feliz do que triste.

Penso que o resultado dessa reação entre o que somos e nos tornamos a partir do contato com outro, não é um resultado solitário, até porque, para nós nos transformarmos é importante que nossa estrutura de alguma forma seja abalada, deixamos um pouco do que trazemos, e levamos conosco elementos que fora doado, assim, nos transformamos e, o mais fascinante é que não nos encerramos aqui, seguimos; encontramos, desencontramos, reencontramos... isso me faz refletir se há validade para felicidade, se é possível indicar horas, meses, ou anos se a considerarmos como estado sim... se a considerarmos como momento também. Não validade no sentido do desuso e sim no sentido de abrir espaço de dissolução e reorganização a partir de outros contatos...

A felicidade que vinha junto com o novo do ano velho não se faz mais tão presente ela foi coberta por uma série de ações que se contrapunham ao estado libertário que a felicidade pré-supõe, sinto que, não sumiu de fato, dissipou-se e tomou outros rumos, pois, quando algo nos impreguina se anuncia no cheiro, no olhar, no toque, no simples fato de não fazer nada, no simples fato de ser... e isso não desaparece isso se mistura com que somos acrescendo mais verdade a nossa construção.

É bom perceber-se feliz, é bom pensar que há pessoas que nos fazem felizes e que se pudéssemos prolongaríamos essa sensação de forma que, sorriríamos mais, cobraríamos menos, sentiríamos mais até que outras sensações chegassem, até que tivéssemos cheio de felicidade novamente até que... até que....fosse plena, agregadora, fortalecedora.
Quero um Dezembro feliz, com as cores que só ele tem, com o cheiro e a energia que só ele consegue agrupar, quero sorrir mais, me preocupar menos, quero que o novo chegue e que o velho não seja inutilizado, quero a energia renovada, verdades restauradas, abraços apertados, cerveja gelada, palavras...quero mais... quero mais....

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

3 Anos.

Quando as palavras não querem se organizar tomo algumas emprestadas assim como fiz com Rubem Alves na texto de abertura do mês, mas, às vezes a palavra escrita não é suficiente, recorro a palavra cantada e ela também não é, ai pego tudo, poesia, verso, imagem, voz, som....e sigo.

Em 31 de Agosto completará 3 anos de morte de minha mãe. Nunca falei muito sobre isso, dissem que os artistas tem mais facilidade de lidar com a perda pois, conseguem trasforma-lá em poesia, belas imagens, bons textos, tocantes músicas...talvez esse não seja meu caso até mesmo por não ser artista....mas como ando na onda de empréstimo intelectual, desta vez assalto o Clip da Música Dona Cilea de Maria Gadú.

Quando ouvi essa música pela primeira vez senti que me tocou, não sei sei se foi pelo momento, se foi pela letra. Não consigo detectar qual botão foi acessado, mas sei que foi. Quando vi o clip me emocionei pela sua simplicidade e verdade.

De uma coisa eu sei, conforme o tempo passa a ausência acentua. Ela devia ser minimizada, mas não é. Ela se faz presente dia a dia, mês a mês ano a ano.

"Se queres partir ir embora/Me olha de onde estiver/Que eu vou te mostar que eu to pronta/me colha madura do pé"

"Ò meu pai do céu limpe tudo ai/Vai chegar a rainha/Precisando dormir/Quando ela chegar/Tú me faça um favor/Dê um banto a ela que ela me benza a onde eu for."

Fica ai minha mensagem, fica ai minha saudade.

video

Gato.

Às vezes tento entender o medo que tenho de gato, sim, gato, o pacato, tem um famoso conhecido com Garfield tem uma gangue que se chama ThunderCats, sim, um bando deles e ainda tem poderes, posso? Tem de botas, preto, pardo, enfim... Se caçar tem de tudo que é tipo. Por mais que me esforce não consigo encontrar uma explicação racional, óbvio! Se fosse racional seria facilmente resolvido, é algo que está além, muito além da razão.
Quando ele aparece me sinto idiota. Esquivo do bicho, ele certeiro vem em minha direção. Não adianta tirar, botar pra fora, sem pressa ele vem, balança seu rabo, impõe, invade o espaço.
Meu medo tem cheiro, sensível como dizem, ele percebe e de longe não faz curva. Minha sorte é que sempre tem alguém no caminho que se assusta com minha reação e quase que num reflexo, parte na direção do bichano. Coitado, nem se da contado por que fora içado daquela forma.
Além de ridícula me sinto monstruosa, não há um que não tenha uma teoria de como ele é bonzinho, sensível, carinhoso, inofensivo, amigo, eteceteraetal. Paro e penso: Se ele é tudo isso, eu sou um monstro, correto? É! Correto! É com essa sensação que fico, por isso, não menos que isso evito a qualquer custo ir à casa que tenha gatos.
Respeito o espaço que o miau conquistou, não tenho intenção de competir, ele lá e eu aqui em casa de preferência no computador organizando minha cabeça em forma de frases.
Ainda racionalizar meu medo seja perca de tempo, ás vezes tento...até mesmo para mantê-lo vivo.
Penso que poderia trocar o medo de gato e começar temer pessoas. Parece estranho? Não é! Elas machucam muito mais, as feridas provocadas são profundas, o gato, coitado, o que poderia fazer comigo além de pequenas estrias na pele, estas cicatrizariam em dois dias no máximo. Posso até não recebê-las se o bichano for manso. Se eu tiver sorte, posso receber um carinho de seu rabo quando passar por entre minhas pernas. Agora, gente essa espécie não pensa duas vezes em passar por cima uma das outras o pior é que além da pata tem a palavra que corta como fel já vira o olhar? Esse fura profundamente.
O bichano, ainda que sinta o cheiro do seu medo ele se aproxima, tenta aconchega, dificilmente ataca. Agora tem gente que não sente nada, simplesmente ataca, assim, gratuitamente sem necessidade de defesa apenas pra constar apenas para machucar.
Ás vezes, digo que não, mas outras entendo meu medo de gato, não posso transferi-lo para pessoas, com essas, tenho que conviver todos os dias, se sentisse medo como sinto dos gatos, precisaria ir para outro lugar, onde essa espécie estivesse extinta ou nunca houvesse existido se fosse, eu deixaria de existir e deixando de existir não preciso ter medo senão tivesse medo apenas estaria não viveria, estar ás vezes não faz sentido, senão faz sentido, não faz sentido.

domingo, 1 de agosto de 2010

A pipoca


Pois é, estamos nós em Agosto. Não sou dada a esse mês, ele não trás o vento das boas lembranças. Mas, como tudo na vida, temos que passar por ele se quisermos chegar até as flores...

Para este início não posto um texto meu, sinto que as palavras um pouco cansada de minhas mesmices não quisseram se organizar em forma de frases, textos, elas continuam soltas em meu pensamento, eu como boa seguidora da liberdade resolvi por não domá-las e pedir socorro a quem tem mais habilidade.
Recorri ao Rubem Alves e ao seu celebre texto sobre A pipoca. Acho que é isso....que venha Agosto e que passe quando for a hora.


"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre."


(....) Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.

Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que esta sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.


Rubem Alves

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Deixe entrar


Filha se você tivesse um namorado sua vida ia ser mais fácil. Ele podia te ajudar nesses problemas todos.
Foi mais ou menos isso que ouvi de uma amiga há duas semanas. Lembro-me que na hora tive uma reação reflexiva, não no sentido da reflexão e sim do susto, do reflexo. Respondi qualquer coisa dada a espontaneidade da fala.
Hoje, um tanto mais tranqüila penso que sempre atribuímos ao outro uma função, as pessoas tem que vir por algum motivo que não o simples motivo de estarem juntas vivendo o que a vida oferece e sim para que você não fique menos triste, menos sozinha, menos carente, menos...usamos ou, tentamos usar a outra pessoa como muleta para as nossas necessidades.
Não digo que as pessoas que aparecerem não poderão minimizar tais coisas, mas, se já vem com esse intuito atribuímos a ela uma responsabilidade que é nossa e não do outro e quando a muleta que o outro oferece é curta ficamos magoados, chateados achando que não temos sorte ou coisa do gênero, pior, quando encontramos uma muleta um pouco maior, mais resistente, ignoramos a que nos apoiou por certo tempo.
Ás vezes penso que relacionamento não pode ser tão diferente de ações que desempenhamos todos os dias, ele está para alguns assim como uma casa bagunçada está para uma visita, oras, não conheço uma pessoa sequer que ao receber alguém não acorda mais cedo, arruma a casa, limpa, perfuma, organiza a bagunça para que a pessoa que vai chegar tenha um ambiente limpo e confortável para ficar.
Há também aquelas pessoas que jogam tudo por debaixo do tapete, abre um sorriso e convida o outro a entrar, pena, pois a poeira não se sustenta por muito tempo amassada debaixo do tapete, como em um movimento osmótico a poeira começa subir e incomodar o nariz de todos, às vezes não sabemos ao certo de onde vem o incomodo, mas, ela está presente quase tão transparente como o próprio ar.
Exemplos não faltam, há aqueles que pedem para o outro entrar, pede desculpa e na frente do convidado quase que cegamente começa tirar tudo do caminho, limpa sofá, mesa, sacode a almofada, o outro percebe que aquilo lá está uma bagunça, mas, ainda assim, prefere sentar e aguardar, enfim, não há bagunça que dure a vida inteira.
Às vezes o dono do espaço está aguardando apenas uma pessoa, mas, ao abrir a porta percebe que existe mais de uma, o banquete estava preparado apenas para dois, como acomodar um terceiro? A salada não está tão completa, havia apenas duas taças de vinho, dois bancos... O lugar parece cada vez menor, e nem está tão arrumado assim, há uma série de coisas para colocar pra fora, jogar fora pra quem sabe todos consigam ficar um pouco mais confortáveis.
Não podemos esquecer daqueles que gostam de ficar trancados em seu espaço e, por mais que a campainha rompa o silêncio o ser não se move e por lá fica, agarrado em suas verdades, memórias, lembranças e alegrias, talvez, por incompetência de escolher a chave correta, talvez por preguiça, talvez por não ter tido muito tempo para arrumar o espaço da forma que gostaria. Talvez por abrir a porta atrasado.
Assim seguimos, outros tantos exemplos podiam ser relacionados, mas, não há uma receita, não há uma forma correta de recepcionar, de deixar entrar, o importante é saber que é alguém que está entrando e não uma coisa, esse “alguém”, tem sentimento, tem poeira, tem bagunça, tem história e tem que saber em qual lugar está pisando, se está tudo claro pra todo mundo, qual o problema? Abram as janelas, sacuda o tapete, coloque a vassoura para bailar nesse espaço, deixe tudo mais claro, mais leve, mais limpo...deixe entrar....

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pretérito Perfeito

Ainda que não tenha nome, sinto não sentir mais.
O nariz tapou
O olho apagou
O suor evaporou
A boca cerrou
A mão afastou
A lágrima cessou
O fogo?
O fogo gelou
Segui
Fui embora
Não olhei pra trás
Não senti saudade
Nem curiosidade
Segui, sem querer saber das novidades
Segui, sem vontade de ficar
Sem ter pressa pra voltar
Segui, sem ter pra onde ir
Segui, segui
No caminho descansei
Sem tristezas
Sem certezas
Segui, segui
Sorri, sorri.

Follow

Sigo por ai, talvez por incompetência de ancorar, talvez por não ter capacidade em lidar com números, com a exatidão que se espera da ação.
Minha ciência é outra, minha verdade é outra, meu cais está em outro lugar.
Não gosto da tranquilidade aparentemente inofensiva do mar morto.
Gosto da quebradeira das ondas se impondo na praia.
Gosto do rebuliço do ouriço, do sacrificio.
Não sou marisco pegajoso, sou bolacha do mar que camufla por entre a areia que, cansada de ser pisada se diverte na mão do bebê.
Sou acento agudo, e não nasalo na hora errada, recuo quando necessário, mas, não deixo de fazer barulho.
O bom marinheiro me conhece, não canto, encanto, em noites quentes não digo não, iço, vou, follow...

Sexta-Feira

Há sextas-feiras todos os dias
Há sexta-feira subentendida em todos os dias, porém, nem todas são precedidas de quinta, tampouco, terminam na manhã de sábado.
Sexta-feira é energia e não dia.
Gosto das segundas que se vestem de sexta
Gosto de achar que tudo é bem mais simples
Gosto da fulgacidade de um gole de cerveja
Gosto do não compromisso de uma esquina
Gosto do sorriso tímido, do desejo sem medo
Da brincadeira saudável, saborosa...
Gosto de achar que amanhã é sábado, ainda que seja terça
Gosto do gosto deles.

Curiosa

Curiosa, às vezes me busco, procuro e até me encontro, outras, tenho a sensação de ter chegado tarde de mais em mim e no lugar nada mais há a não ser um outro ser que pouco conheço.
Com ele tenho pouca intimidade, mas, ao me ver, sorri com graça. Eu, no entanto um tanto tímida me aproximo e não o reconheço.
Mapeio meus desejos, relato meus anseios, anoto meus segredos e rascunho meus medos a lista segue imensa ao chegar no final, percebo que ainda não me conheço.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Semana 22

Nosso Estranho Amor
Caetano Veloso


Não quero sugar
Todo seu leite
Nem quero você enfeite
Do meu ser
Apenas te peço
Que respeite
O meu louco querer...

Não importa com quem
Você se deite
Que você se deleite
Seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor...

Oh! Mainha!
Deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar
E sigamos juntos...

Oh! Neguinha!
Deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração
Não me diga nunca não...

Seu corpo combina
Com meu jeito
Nós dois fomos feitos
Muito prá nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois...

Não vamos fuçar
Nossos defeitos
Cravar sobre o peito
As unhas do rancor
Lutemos, mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor...

Oh! Mainha!
Deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar
E sigamos juntos...

Oh! Neguinha!
Huuuuum!
Deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração
Não me diga nunca não...

Oh! Mainha!
Deixa o ciúme chegar
Huuuuuum!
Deixa o ciúme passar
E sigamos juntos...

Oh! Neguinha!
Deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração
Não me diga nunca não...

Outras Histórias


Após o ponta pé inicial com o filme short cuts os roteiristas tem explorado o multiplots ou seja, várias pequenas histórias dentro de uma história maior. Às vezes elas não se conectam, outras dialogam entre si.
A estrutura dessas histórias aparentemente é anárquica a estrutura da narrativa clássica ou, como popularmente conhecida; uma história com começo meio e fim onde só há um herói, onde há vários impedimentos para que o objetivo do herói seja alcançado.
Ainda nessa reflexão sobre os múltiplots acredito que as pequenas histórias às vezes não fogem tanto da estrutura clássica.

O drama central, o ponto de virada, a motivação do personagem o clímax enfim, estão todos presentes, ainda que a ordem dos acontecimentos não sejam os mesmos, ainda que só ao final o drama das outras histórias faça sentido.
Quando visto no cinema isso tudo fica mais claro, a eficiência do diretor auxilia na compreensão do emaranhado de sentimentos que aparecem ao longo das pequenas histórias. Mas, quando esses pequenos dramas acontecem na vida real sem auxílio de uma tela branca e o conforto de uma sala de projeção, nossa visão, nosso entendimento fica limitado por não termos a precisão do corte, precisão do início de uma outra história, ou o término de uma história antiga. Fica tudo assim, tudo um pouco confuso.

Entretanto, saber que não existe uma história única, com um único final, com um personagem estático, planificado, possibilita que o filme da vida real tome nuances nunca antes pensado, nunca antes vivido, sabores nunca antes experimentado, é como se fosse uma Avant garde de sentimentos descortinando uma série de possibilidades...



Povo




A gente se sente como uma pesca viva amassada dentro de uma condução, seja ela ônibus, metrô ou mesmo lotação.
Dizem que a gente se acostuma, não acho, não creio que a gente se acostume. Acho que...é, acho que a gente realmente se acostuma, sinto que nos calamos, engolimos a seco como a farinha do almoço. O silêncio sem sucesso corta a garganta na ânsia de se libertar.
A gente se sente palhaço, acreditando há anos, nas promessas dos governantes, nos descontos dos feirantes, nas dozes vezes sem juros, no aumento de salário há muito esperado, na promoção sonhada, no príncipe encantado, no muito obrigado.
A gente nem precisa de espelho para ver que o nariz continua cada vez mais vermelho . No andar apressado vejo que não existe somente um palhaço.
A gente se sente tão só neste mundão lotado, parece que nossas idéias, nossos ideais são somente brilhantes para nos mesmos, parece que somente o nosso sol nasce à leste, parece que somos todos surdos, mudos, cegos , se não somos, fazemos questão de tapar os ouvidos, a boca, os olhos e nos fingimos de rocha, sem sentimentos apenas com sedimentos, sem sentidos sem....
Não choramos mais, não notamos mais as perdas, vivemos em bandos isolados preocupados somente com o nosso próprio bem estar, nos tornamos criaturas unitárias, unilaterais, unicoração, unipensamentos, unisentimentos.
A gente vive a noite e dorme de dia, vive o dia e não dorme a noite, perde a noção do dia. Nos bares, a noite ganha sentido, corremos sem direção, falamos, mas, não indagamos, não perguntamos mais porques?
Não sonhamos tão mais, não acreditamos mais, não sorrimos mais, não agradecemos mais, não sentimos mais, brigamos com nos mesmos. Não libertamos nosso coração, brigamos com a vontade e sobrepomos a ela a verdade, porém a verdade da conveniência a verdade que a sociedade acredita ser verdade. Nossos sonhos não acordaram ainda , não somos.... nunca fomos ou fomos? Fomos!
Porém, o que um dia fomos se foi e, não conseguimos colocar nada no lugar. Nos tornamos massa sem peso, somos garrafas sem líquido, somos a continuação do teclado, somos qualquer peça do carro, somos o carro!
Nos tornamos a sociedade que Gepeto desenhou, nosso nariz não para de crescer , mentimos para este , mentimos para aquele, mentimos todos os dias para nos mesmos ....ah mentimos para nos mesmos...
Nos maltratamos , nos sufocamos, nos mutilamos a cada dia.
Somos juizes dos outros, somos o dedo que em riste acusa. Somos a semente que não vingou, somos a gema do ovo que não nasceu.
Mas, éramos o grito, tínhamos sonhos, tínhamos propósitos, éramos a lágrima que caia dos olhos de um irmão quilombola, torturado, massacrado. Éramos o sonho da República, erámos a Revolta da chibata, éramos o direito adquirido, éramos a passeata dos cem mil, a greve generalizada, éramos a indignação, éramos a semana da arte moderna, éramos o morro, a favela, a periferia, éramos Cartola, Geraldo Filme, Tom Zé, Tropicália, éramos o Cinema Novo, a vitória de setenta, éramos o não! Éramos as diretas já éramos, éramos o fim da ditadura, éramos bem mais vermelhos, éramos a história que hoje é contada, éramos o povo , agora não somos mais , não mais....

Ps: Esse texto foi escrito por mim há exatos 8 anos.

domingo, 27 de junho de 2010

A sustentável leveza DE ser.


Sim, de fato eu parafraseei Milan Kundera em seu celebre livro - A insustentável leveza do ser.
SER nunca foi tarefa fácil, tampouco leve. Mas é possível. É possivel treinar a leveza. Ela não nos é dada como um nome ao nascermos e sim nos é conquistada por quebras e rejuntes ao longo da caminhada.
Não seguimos leve por toda vida. Em nossa tragetória vamos nos esvaziando do que é pesado, chato, insustentável e nos tornamos seres sustentáveis, seres possíveis, cheios de possibilidade em sermos o que quizermos...

domingo, 13 de junho de 2010

Junho


Anunciamos a chegada do segundo semestre, estamos exatamente no meio do ano.
Um excelente meio de ano, cheio de boas notícias, grande encontros, realizações e melhor, poucas despedidas.
Só tenho agradecer, nem teria coragem de pedir ou lamentar, internamente me remonto externamente ilumino e sigo.
Bom Junho pra nós, bom Junho pra todos.

Ps: Enquanto isso, vejo uma nova história se formar diante do monitor....

domingo, 9 de maio de 2010

Uma reflexão.

Não conheço uma pessoa que nunca tenha ouvido: Nossa como você mudou, está tão diferente! Eu já ouvi pelo menos; não consigo nem enumerar, mas, sei que foram várias.
Esse questionamento vindo de algumas pessoas pra mim não faz sentido algum, de outras, faz muito e essa reflexão é endereçada a elas.
A questão de “estar” diferente sempre foi recebida como algo negativo, é como se tivesse a obrigatoriedade de ser quem sou sempre. Não tenho! Não preciso, não porque eu não quero, é porque eu não posso! Porque é impossível.
Nós, sejamos seres humanos, seres botânicos, animais enfim...seja de qual ordem pertençamos atuamos de acordo com estímulo dado, ora, se pisarem no meu pé com força eu grito! Se me derem um sorriso eu retribuo, se me derem um tapa instintivamente eu dou outro, senão me derem nada, certamente não receberão nada de mim.
Hoje, recebo esse “estar diferente” de forma positiva com menos culpa e mais leveza, recebo com a alegria da possibilidade isto é com a possibilidade do meu devir de minha mutação, transformação e absorção.
Se me é dado um determinado estímulo e por algum motivo ele é tomado, não tenho como agir da forma com agia antigamente.
A ausência deste estímulo me ajuda a me tornar outra pessoa, alguém que talvez nunca tivesse acesso, alguém que nunca pensei que pudesse ser.
Parece papo de maluco, daqueles sem pé nem cabeça onde se procura justificativas para explicar a falta de auto-conhecimento, onde se dá ao outro responsabilidade pelo que se é, parece né? mas, não é!
Acredito que ter clareza de quem se é, seja fundamental, talvez condicionante para percebemos o quanto mudamos. Não dá pra mudar o que não conhecemos. E nessa gangorra não somos somente nós que mudamos, foi a relação estabelecida anteriormente que mudou.
Qualquer relação necessita de no mínimo duas pessoas para acontecer senão, é qualquer coisa que não uma relação.
Há quem diga que a percepção do outro que mudou e não sua atitude para com o outro. Ainda que não concorde, respeito esse ponto de vista, mas, acho que cabe uma reflexão individual.
O que mais me interessa é o movimento causado pelo não estímulo ou por estímulos novos, é como se você fosse apresentado aos outros que habita em você, é com se fossemos múltiplos como uma peça do mosaico que só se torna mosaico à partir da proximidade com as outras peças quando soltas são só formas que não dizem nada a ninguém.
Creio que alguns estímulos ou ausência deles só aceleram o processo de mudança, pois, o movimento é constante, simples, lento e gradual, talvez esse “você mudou, tá diferente” seja um movimento de volta, um movimento para o meu eu, para o que eu me sinta mais confortável, pois, por mais que eu mude, o que eu era está gravado, não foi e não pode ser alterado, esta lá e me é conhecido.
É como se o mosaico que foi mapeado por mim estivesse recebendo uma peça ausente que se assenta e completa, até outro estímulo aparecer, até outro estímulo sumir, até outro movimento brusco acontecer, até outra reflexão surgir...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Maio

Não escrevo no 1˚ de maio, mas, isso não tira a beleza do início do mês.
Pensei sobre o que escrever nesse início, são tantas as coisas que podia compartilhar, sim; podia! mas, não quero!
Resolvi poupar meus poucos leitores, afinal, todo começo requer novas possibilidades, novos olhares, novos ponto de vista.
Encontrei essa imagem dos gênios do grafitti (Os Gêmeos) de alguma forma ela diz muito sobre esse momento atual.
Às vezes, me sinto quem está na casa, outras tantas, me sinto quem leva a casa.
Dado momento quero que a casa que habito seja mais ampla, outro, quero que a casa que está em minha costas seja bem mais leve.

Então é isso. Bom início de mês!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um presente.

Hoje um dia azul, cheio de luz. Fui agraciada com os versos do Bruno Villela. Adorei o presente. Obrigada.

Re-corda-ação/ que não anda na corda bamba, anda é no samba da escuridão. Re-cord/ Acorde/ Grava o momento que morde/ a fraqueza e a solidão/ Com ela ninguém pode/ a poeira sacode/ e a volta por cima é só pra quem cai/ nesse mundão/ Boom Bitty Bye Bye Bye!/ toca o refrão/ Humildade em milhões de cidades de amizades, dever-cidade na simplicidade da acepção/ Renascida, Renata/ Rainha-nata sem qualquer força já inata/ mas que nunca nunca empata/ E o esquecimento mata/ No coração/ pois já é poesia na sua andança/ e nunca nunca sai da lembrança/ que aqui dentro dança nessa canção.


Bruno.

domingo, 11 de abril de 2010

Por ai

Oi tudo bem? Então, quer tomar um suco, uma cerveja um vinho? Podemos não tomar nada. Aliás, eu quero tomar um conhaque, mas não precisa me acompanhar. Tá frio né? Sim, o inverno se aproxima, mas, tá tudo tão diferente pensei que a temperatura não fosse mudar tanto. É eu sei, ainda que não venha no tempo certo o frio sempre vem.
Eu também estou sem pressa, quero falar um pouco sobre a vida, sobre as alegrias da vida ou das pausas que essa alegria dá na vida. É eu podia te mandar um e-mail, ligar, mas caminhar á noite pela cidade trás mais inspiração.
Acho que é o mistério que a noite trás, ás vezes não vemos com clareza o rosto dos outros estão tão todos sempre muito cobertos por toucas e cachecóis, medimos sua alegria pela largura do sorriso e o brilho que brota dos olhos.
Na verdade eu não tenho nada muito importante para dizer e você? É os problemas se repetem um ciclo vicioso de desencontro com nós mesmos e ligeiros encontros com os outros e mais outros e outros.
Ás vezes sinto sua falta, ás vezes esqueço que você existe ás vezes só existo quando me vejo em você, meu sorriso reflete no seu sorriso, minha alegria se confunde com sua alegria, mas, não é sobre isso que eu quero falar.
Eu queria que sorrisse pra mim. Não! Não esse sorriso sem graça, amarelado, aquele sorriso que faz seus olhos se fecharem um pouco é, mais ou menos assim. Eu tô bem, fica tranqüilo. Eu? Não! eu não conseguiria, tá meio oco aqui dentro acho que a minha emoção foi passear em outro lugar, acho que resolveu me deixar um pouco só pra saber ao certo como lidar com tudo isso.
Você nunca soube, talvez eu nunca tenha conseguido explicar, sempre achei que, o que fazia sentido tinha que ser sentido, não precisava ser narrado nem tão pouco explicado. A gente sente, vive, compartilha. Palavras? Eu disse? Oras não consegue distinguir palavras do querer, não consegue sentir, senão consegue definitivamente não fez e não fará sentido.
Pode até me acusar, me chamar de feia, boba, imatura, mas, medo eu nunca tive, quando te toquei, quando te abracei, quando te beijei, quando me deitei com você lá eu estava inteira, estava completa estava contigo de pensamento e desejo. Não, você entendeu tudo errado, não quero te namorar, te possuir ser sua dona. Não sou dona nem de mim sou dona dos meus momentos dos meus encontros não me encerro em mim me espalho me multiplico e vivo.
Sei que seu conceito de viver é diferente do meu, que liberdade é uma palavra que prende, mas, eu busco, eu vivo eu arrisco e tento.
Não precisa ser como eu. Não precisa ser você sempre, o que não se move sedimenta abafa, apaga perde o viço o brilho se sufoca tanto que não sabemos ao certo se o verdadeiro está aparente ou o encoberto.
Me conte um segredo? Já contou isso pra alguém? Como é isso pra você? É, tem coisas que são confusas mesmo. Não eu não me importo, nunca vivi uma situação parecida, mas não me importo com isso. Um segredo meu? Ah é um jogo? é uma curiosidade? Peraí me deixa pensar...Eu solto pum nos corredores das lojas de departamentos. Tá rindo do que? Nunca ninguém sabe quem é, as pessoas se entreolham uma acusando as outras, eu continuo vendo o preço da roupa que está na minha mão. Eu sei que não é um grande segredo, mas quem é que sai contado por ai que solta pum? Outro? Então tá? Eu amo você... silêncio... ainda ai?
Eu sei, não nos conhecemos muito bem, mas eu amaria qualquer pessoa que me olhasse e sorrisse pra mim desse jeito. Azar o seu de ter sido o primeiro. Calma, não precisa falar besteira, não estou te pedindo que me ame.
Você quer me contar outro segredo? Vamos ficar a noite toda conversando sobre nossos segredos? Só mais um, certo? Porque não me disse isso antes? Eu não ainda não sei ser diferente, não era essa minha intenção, só não posso te pedir desculpas porque fiz sem culpas, fiz porque quis, porque desejei. É, eu não pensei em você, talvez seja, esse um dos meus grandes problemas, mas o tempo cuidará disso.
Nossa agora tá mais frio do que antes. Hahahah você quer que eu diga o que fazer com o amor que eu sinto por você? Não! não é uma decisão minha, não sou eu quem escolhe.
Eu sei o que sinto e onde guardo. Não fique preocupado com isso. Você tem tantas outras histórias, tantos outros desejos, siga sua vida, seu caminho.
Não, eu não sou tão legal assim, mas o que é que quer que eu faça? Que eu chore, grite, me jogue aos seus pés e peça que volte que fique? Por quanto tempo? Uma hora, um mês, dois minutos? Não, não! Seu pouco não me interessa, o que eu quero não é a compaixão. Minha parte, eu quero em tesão e se não puder me dar, que fique tudo bem? Que seja tranqüilo.
É, tá bem tarde. Vai sair ainda? É? Não é que eu não acredite, só te peço que não minta pra mim, que não diga o que não sente que não fique com meias palavras, de tudo eu posso suportar menos a mentira que alenta que tranqüiliza, não precisa disso, é eu prefiro seu silêncio, aliás, o silêncio sempre é a melhor resposta ele não nos compromete, nos deixa lá em cima do muro sem ação observando o movimento natural das coisas.
Porque você está gritando? Que diabos você quer? Bom, eu preciso ir. Não te importa com que vou me encontrar. Foi bom ter conversado contigo. Sim, a gente se fala a gente sempre se fala não é? O que foi? Quer me dizer alguma coisa? Mais silêncio...entendi. Vem cá me dá um abraço? Não, não quero seu beijo é só um abraço. Talvez eu seja mesmo estranha, acho que você tem razão. Tchau.
Oi tudo bem? Você me dá um cigarro? Tá esperando alguém? A madrugada será bem fria.

sábado, 10 de abril de 2010

Luz

És alto, forte, produz luz que vem de cima,
que se espalha por toda sua estrutura.
Tem a singeleza do estilo clássico,
é rígido, é finito, é estático... Não me interessa sua estética!
É poste com luz oscilante, com alcance limitado.
Sua luz não me seduz, não encanta
engana é pouca é de menos é de nada.
Faz mais sombra do que ilumina.
Se é pra ser luz, que venha do alto
que venha do longe que seja estrela morta,
que seja infinita até quando a finitude
lhe seja imposta
Que seja vida.

Encontro

Tenho encontrado na palavra a mais fiéis das companheiras. Por ela me calo, por ela eu falo, por ela eu sinto, eu minto eu rio. Com ela eu canto, pra ela danço, encanto, respiro.
Tenho encontrado na imagem a mais bela viagem. Com ela eu saio, por ela descubro, pra ela eu dedico, com ela eu entendo, por ela eu leio, releio, supreendo.
Tenho encontrado na vida a mais louca melodia. Por ela eu ando, com ela eu nado, pra ela eu pisco, rabisco, desenho...entendo.
Tenho encontrado em você o mais doce querer. Por você eu repito, suplico, palpito, não ligo, insisto, desisto, retorno, imploro, espero, não quero, querendo.
Tenho descoberto em mim um desejo secreto. Por ele me entrego, não nego, encontro, deserto, esperto, caminho, sem ninho, sozinha, sozinha, sozinha....

sábado, 20 de março de 2010

(...)

Faz tempo que não escrevo, não tenho tido tempo para organizar coisas que ficam vagando em minha mente. Teimosas, algumas dessas coisas navegam até meu coração. Outras se deparam com o vazio e retornam. Tantas conseguem evaporar pelos poros. Muitas, estáticas permanecem habitando em meu olhar. Elas procuram no externo, respostas para o que há no interno, para que internamente ás que ficaram permaneçam mais tranqüilas. Não há respostas, não há tranqüilidade! Quero a inquietude permanente, dessas que não nos deixam em paz, de paz e eu estou cansada! Não quero mais o bom dia sorridente, nem a frieza do abraço forçado, não quero mais o toque ausente nem o desejo que não se estende. Não quero mais meias palavras, meios quereres, meios porquês. Não quero a certeza da palavra quero a audácia da ação, dessa que não se importa com que somos, fomos, estamos ou seremos.
Não quero o medo de sentir, quero todos os sentidos juntos. Não quero o desejo da embriaguez, a nudez imaginária, a palavra assustada a mensagem não enviada. Não quero mais um segundo, dois minutos, um momento. Não quero planos, quero esferas; palpáveis, maleáveis, leves, reais, ainda que durem um segundo, um minuto, uma vida. Não, quero mais! Não quero! Não quero; Não, quero? Não...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Amor, amigo!

Para ele, um momento de desejo e amizade.
Para ela, um momento singular e mágico.
Ele, se dizia responsável pelo carinho que ela o dedicava.
Ela, tentando preservá-lo de culpas, dizia que a culpa era sua; que andava carente mal resolvida, ou, contradizendo – se a toda hora, dizia que era um equivoco, que ela também não o desejara.
Ele tentando se justificar, ou em função da confiança que lhe despertara, contava sua vida suas experiências tristes...
Ela, fazendo – se de forte e sufocando suas respostas dizia que estava tudo bem, quando estava tudo indo muito mal.
Ele buscando a melhor forma de dizer “não te quero”, dizia não querer se envolver com ninguém. Disse não querer para mulher alguma, o sofrimento de um amor não correspondido que talvez um dia o experimentara.
Ela, queria dizer que o adorava, gritar o quão ele era importante.
Ele, se mostrava cada vez mais amigo, parecendo aos olhos dela, mais querido e maravilhoso.
Ela adorava isso nele, mas no intimo, talvez preferisse que ele a maltratasse para quem assim quem sabe, ela pudesse odia lo e maltrata – lo.
Mas, ele a dominava com sua doçura e a convencia, sutilmente de que só poderia oferecer –lhe uma grande amizade.
Ela, percebendo que não havia mais nada a fazer sentia – se crescer como amiga, mas, derrotada como mulher. Mesmo assim, acabaram por consolidar a amizade, quando, com a voz embargada
Ela lhe prometera, comunicar-lhe, quando estivesse curada.
Ele, se convenceu de que tinha que aceitar, o carinho que ela lhe oferecia.
E ela de que tinha que se contentar com a amizade que ele lhe tinha.
E se despediram quase que em silêncio.
Ele a pedir perdão por não sentir nada por ela.
E ela a se desculpar pelo grande amor que lhe destinara.

Observação: Esse texto está entre os meus escritos de 2002 porém, não me lembro de o ter escrito. Pode ser que alguém tenha me mandando eu gostado e guardado. Porém, não me julgo autora do texto justamente por não lembrar se o escrevi ou se o copiei.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Um Sonho...


Ás vezes não nos damos conta da importância de nossos sonhos. Eles, de certa forma estão conosco todas ás noites, ás vezes se manifestam nos deixando cansados, intrigados, confusos e com medo, ás vezes ficam lá perdidos na vastidão da mente e é bem provável que nunca serão descobertos.
De um tempo prá cá tenho prestando atenção nos meus, tarefa fácil, visto que a labuta diária tem ajudado na, não manifestação dos meus, mas, com a mente um pouco descansada essa semana tive um sonho curioso, talvez por ter vindo posterior a uma longa e esclarecedora conversa que tive com um amigo.
Meu sonho foi mais ou menos assim: Eu estava em um açougue com alguns amigos, por mais que pensem que eu não quero dizer o nome, na verdade eu não me lembro do rosto deles.
Um amigo estava na fila e dois outros garotos entram em sua frente. Eu, na tentativa de defendê-los falei: - Ei, a fila é lá atrás. Um dos garotos me olhou com indiferença e continuou. Eu o cutuquei e disse:- Você não me ouviu? Ele então sacou sua arma e apontou pra mim.
Em fração de segundos o tempo congelou e desse tempo só eu podia me movimentar,corri, procurei algum lugar para me esconder e o único lugar que encontrei foi o frigorífico, achei que era o melhor lugar pra ficar, e por lá fiquei.
Por mais que eu não tivesse um espelho pra ter noção de meu aspecto, tive uma tomada de consciência e consegui sair de mim e me observar por fora.
Meus pés não se moviam mais, minhas mãos gélidas, frias e sem vida não eram capazes de fazer mais nem um sinal. Meu tronco endureceu e meu sorriso congelou. Uma lágrima que ameaçava cair, não caiu. Ela ficou lá no limbo, entre a emoção da salvação e a certeza de um triste fim.
Minha imagem era terrível era o pior reflexo que podia ter de mim ou de qualquer pessoa; fria, inerte, sozinha e com uma série de parte de animais mortos congelados ao meu redor. É como se eu fosse um animal também. Um daqueles animais bem ariscos, talvez uma raposa, ou qualquer outro que corre solitário pelas savanas se defendendo de tudo e de todos lutando apenas pela sobrevivência.
Por mais que, externamente eu conseguisse me comparar com um daqueles animais que foram, criados, engordados e tratados para serem mortos, eu era humana, dessa linhagem da espécie humana sabe, essas que andam, comem... Alguém poderá me dizer, mas, os animais também comem,bebem e andam claro, mas, há sensações nos seres humanos que na espécie animal inexistem ou está em estudo.
Seres Humanos, se apaixonam, amam, pensam, choram, sentem e se lamentam entre outras tantas sensações.
Recordar disso me trouxe a luz, a clareza da sabedoria, da existência de que eu tenho um coração e ele, era o único que palpitava com dificuldades, mas, palpitava essa era a única centelha de vida que restava em mim.
Minha imagem externa se fundiu com minha imagem gélida e, aqueles movimentos que pareciam impossíveis começaram a se vestir de vida.
Meus pés com dificuldades convidavam os dedos para a aventura que era viver, o corpo todo foi tomado por essa energia, aquele medo que antes me apavorava derretia como o gelo e se afastava do meu corpo, por fim, consegui me reconhecer como gente novamente.
Saí do frigorífico e me coloquei diante daquele garoto que apontará a arma pra mim. Por mais que eu soubesse, por mais que eu tivesse certeza do que podia acontecer. Diante dele eu me coloquei.
O tempo retomou seu curso natural.
As únicas coisas que ouvia, eram gritos, choro e sofrimento, eu por minha vez tive novamente o privilégio de me desgrudar de mim.
A bala acertará em cheio meu coração, não tinha muito que fazer. Minha vontade era falar pra todos. Parem de gritar, não há muito que fazer, acabou! O que podia ser feito já foi. Essa foi minha escolha.
De lá fiquei por algum tempo me observando. Agora mais humana, com um sorriso largo no rosto, um vermelho vibrante jorrava de meu peito.
Antes de me despedir de mim, caminhei em minha direção: - As pessoas que estão me vendo, as pessoas que convivem comigo vão sofrer bastante ou um pouco, talvez chorem alguns dias, mas, elas vão acostumar a viver sem mim.
Enquanto minha imagem se acomodava naquele novo corpo, longe, o menino corria assustado, com medo, sem rumo. O outro permaneceu estático sem ação ficou lá, diante de mim observando a vida ir.

Por Renata Martins.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Hoje


Hoje, eu queria a zonzeira de três taças de vinho
Eu queria o chão, com um terno de linho
E que me protegesse como em um ninho.

Hoje, eu queria a dança do dançarino ausente
O canto do silêncio presente
E uma noite lilás sem estrelas.

Hoje, eu não queria uma noite sozinha
Eu queria as pernas trepidantes
O olhar do outro alucinante
E uma noite azul com estrelas.

Hoje, eu não queria estar assim
Sem sentir saudades de mim
Uma volta sem ida pra mim
Hoje, enfim...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Escrita

Sempre que pensava em ter um blog, pensava em minha pouca intimidade com a escrita. Por mais que ele [O blog] passasse desapercebido e que a divulgação não fosse viral, algumas pessoas sempre lêem.
Escrever é uma forma de se despir para algumas pessoas. Claro, o ato de ficar nú pode ser prazeroso como também pode ser ultra constrangedor. Ainda mais quando não se tem o poder de escolha; a pessoa, o dia, e horário em que cansados de nós mesmos rasgaremos nossas roupas e sacudiremos nossas carne para um estranho solitário.
Ainda sobre a escrita tenho percebido que meus maiores erros gramaticais, ortográficos ou de grafia se dão pela fulgacidade da escrita, não paro,não leio, não corrijo.Claro, utilizo isso como desculpa pra engolir alguns "s" vírgulas e acentos. Pois, elas são salpicadas no texto da mesma forma que as tiro da cachola.
Escreverei de forma que eu compreenda e quando der, tentarei melhorar para que o outro entenda também. Brincadeira, penso que a prática na escrita irá ajudar a melhorar o que já detectei mas não será minha preocupação primária.
Penso em escrever pra me organizar, entender, compartilhar enfim, não tenho um tema específico, tenho uma vontade específica que é a escrita.
As redes sociais as quais eu faço parte tem limitado o campo de reflexão, com poucos caracteres tenho exercitado o poder da síntese mas preciso de um espaço maior e foi ai que surgiu a idéia. Enfim...esse é o início do Blog Tapete empoeirado. Muita coisa ha de sair quando o tapete for sacudido. O que fazer com os achados? Não sei! Ao longo desse processo de entendimento descobrirei melhor como lidar com tudo isso. Então é isso. Pra não perder a prática. Vamos que Vamos.